O novo álbum de Anitta, intitulado EQUILIBRIVM IItraz uma colaboração marcante que destaca a presença dos rappers indígenas Brô MC’s e Katú Mirim. A faixa OKEque encerra o disco, é um poderoso encontro entre o rap indígena e a música pop brasileira, colocando em evidência a força e a resistência cultural dos povos originários.
Lançado no dia 23 de julho de 2026, EQUILIBRIVM II se destaca por sua proposta inovadora, unindo diferentes vertentes da música urbana. A produção da faixa OKE é assinada por Carlos do Complexo e Papatinho, e incorpora um sample do tradicional ponto de umbanda Cabocla de Pena. A letra da canção exalta a pluralidade e a resistência dos povos indígenas, mencionando etnias como Pataxó, Tikuna, Terena, Yanomami, Kayapó, Guajajara e Guarani-Kaiowá, e inclui versos que refletem a conexão com a natureza, como “Nada na mata me mata”.
O projeto audiovisual que acompanha o álbum também reforça essa proposta, apresentando representantes de diversas etnias durante as filmagens da faixa. Essa iniciativa não apenas amplia a visibilidade do rap indígena, mas também promove um diálogo necessário sobre as questões enfrentadas pelos povos originários no Brasil.
Brô MC’s: Pioneirismo e resistência
O grupo Brô MC’s, fundado em 2009 nas aldeias Jaguapiru e Bororó, em Dourados, Mato Grosso do Sul, é reconhecido como o primeiro coletivo de rap indígena do Brasil. Composto por Bruno Veron, Clemerson Batista, Kelvin Mbaretê, Jhonis e CH MC, o grupo se destaca por suas letras que misturam o português e a língua Guarani, trazendo à tona as vivências e as lutas dos povos indígenas.
Com um histórico de apresentações marcantes, incluindo um show no festival Global Citizen em Nova York em 2024, o Brô MC’s vê a colaboração com Anitta como uma oportunidade de expandir sua presença na música brasileira. CH MC, um dos integrantes, comentou sobre a importância dessa participação: “A participação representa uma oportunidade de ampliar a presença indígena na música brasileira mainstream”.
Katú Mirim: Voz da resistência urbana
Katú Mirim, rapper, cantora e ativista de ascendência Boe Bororo, é uma figura essencial na luta pela visibilidade dos povos originários nas grandes cidades. Seu trabalho é marcado pela defesa dos direitos indígenas e pela luta contra o apagamento cultural. Reconhecida nacionalmente por ter criado a campanha #ÍndioNãoÉFantasia em 2018 e por fundar o coletivo Tybyra, Katú Mirim traz uma perspectiva única para a música e a arte.
Sobre a colaboração na faixa OKEKatú destacou a importância do encontro: “Este feat representa um chamado para a reconexão com nossas raízes, para a valorização dos saberes ancestrais e para a visibilidade que os povos originários sempre mereceram”. Sua voz e sua mensagem são fundamentais para o fortalecimento da luta por demarcação de terras e pelos direitos LGBTQIAPN+ no contexto indígena.
Um álbum que promove a diversidade cultural
EQUILIBRIVM II é uma continuação do projeto iniciado por Anitta em abril e busca promover um diálogo entre diferentes vertentes da cultura nacional. A artista comentou sobre o processo criativo do álbum, que foi desenvolvido em um ambiente de leveza e colaboração no estúdio de sua casa. “O álbum foi composto e produzido no estúdio da minha casa, em ambiente de leveza e criatividade, repleto de artistas que admiro”, afirmou Anitta.
A inclusão de Brô MC’s e Katú Mirim no encerramento do álbum não apenas fortalece a cena do rap indígena, mas também leva suas rimas de resistência e ancestralidade a plataformas globais. Essa colaboração é um passo significativo para a valorização da cultura indígena na música contemporânea, mostrando que a diversidade é uma força poderosa na arte e na sociedade.

