Rashid, um dos nomes mais respeitados do rap nacional, acaba de lançar seu sexto álbum de estúdio, intitulado Cumulonimbus. Com 15 faixas, o disco traz colaborações de peso, incluindo Emicida, Projota e Luedji Luna, e chega às plataformas digitais com uma proposta que vai além da música: é um manifesto cultural.
O título do álbum, Cumulonimbusfaz referência a um tipo de nuvem que se forma pela acumulação de energia, simbolizando a tempestade que se aproxima. Rashid utiliza essa metáfora para descrever seu trabalho como um “álbum de descarrego”, onde tudo que foi guardado ao longo de sua carreira finalmente encontra expressão. A obra não busca apenas ser inovadora, mas sim refletir sobre as raízes do rap e o que o fez apaixonar-se pelo gênero.
Um repertório diversificado
As faixas de Cumulonimbus exploram diferentes sonoridades e temas. A abertura homônima ao álbum já estabelece um diálogo com a música popular brasileira ao citar “Paula e Bebeto”, de Milton Nascimento e Caetano Veloso. Essa escolha revela a intenção de Rashid de buscar referências fora da bolha do rap, ampliando a conversa e conectando-se com a memória afetiva coletiva.
Uma das faixas mais ousadas é “L’Appel du Vide”, que conta com a participação de Kamau e Luedji Luna. Já “Ouro, Mirra e Incenso” marca a primeira colaboração entre Emicida e Projota, um momento histórico para o rap brasileiro. Além disso, a música “Olha Bem” utiliza um sample de “O Começo”, de Gonzaguinha, mostrando a versatilidade do rapper em misturar estilos e influências.
Defensores da Arte do Gueto
Além de ser um álbum, Cumulonimbus também representa o lançamento do movimento Defensores da Arte do Guetoidealizado por Rashid. A iniciativa visa criar espaços de encontro e debate, promovendo a ação entre aqueles que acreditam no poder transformador do hip hop. Rashid se posiciona não apenas como um artista, mas como alguém que vive e respira a realidade que retrata em suas letras.
Em suas palavras, “Existe uma coisa difícil de explicar para quem nunca viveu isso: quando o hip hop te encontra, alguma coisa muda para sempre. É como ser picado por um bicho que não te deixa em paz.” Essa declaração encapsula a essência do álbum, que busca resgatar a experiência coletiva que o rap pode proporcionar, indo além de um simples produto comercial.
Uma trajetória consolidada
Com mais de 650 milhões de reproduções nas plataformas digitais e certificações Platina Dupla e Diamante, Rashid não é um artista que precisa de apresentações. Sua discografia inclui álbuns como A Coragem da Luz (2016), CRISE (2018) e PORTAL (2024), além de colaborações com grandes nomes da música brasileira, como Mano Brown, Liniker e Criolo. Lançar Cumulonimbus após uma série de sucessos demonstra sua coragem de se reinventar e de continuar a dialogar com o público.
O álbum chega em um momento em que a cena do rap brasileiro enfrenta um dilema entre a comercialização do gênero e a busca por uma linguagem autêntica. Rashid, ao reunir Emicida e Projota em uma mesma faixa e ao samplear ícones da MPB, faz uma declaração clara: o rap não deve se limitar a algoritmos ou tendências passageiras. É uma forma de arte que deve ser vivida e sentida.
Com CumulonimbusRashid não apenas entrega um álbum, mas também reafirma seu compromisso com a cultura hip hop e a transformação social. O disco é um convite à reflexão sobre o papel do rap na sociedade e uma celebração da sua capacidade de unir e inspirar.

