O último sábado (8) foi um marco na cena do funk paulista, com a estreia do Red Bull Symphonic, um projeto inovador que levou o ritmo das periferias para o palco sinfônico do Auditório Simón Bolívar, em São Paulo. MC Hariel, um dos principais nomes do gênero, foi o protagonista dessa apresentação histórica, que esgotou os ingressos e transformou o espaço em um verdadeiro baile funk.
Com a direção do maestro Xuxa Levy e a participação de 56 músicos da recém-criada Orquestra de Fluxo, Hariel revisitou a rica trajetória do funk paulista em uma performance dividida em seis atos. O espetáculo não apenas apresentou uma nova roupagem para as músicas, mas também conectou a tradição do funk com elementos da música clássica, criando uma experiência única que refletiu a identidade cultural de São Paulo.
Uma viagem pela história do funk
A apresentação começou com o característico som das motos de Hariel, estabelecendo desde o início que o evento não seria uma sinfonia convencional. A narrativa musical percorreu diferentes fases do funk, desde a Baixada Nascente até homenagens a ícones como MC Daleste, passando pelo funk ostentação e as novas gerações que estão moldando o gênero atualmente.
Um dos momentos mais emocionantes foi a participação de Neguinho do Kaxeta, que trouxe a essência da Baixada Santista ao palco. Juntos, eles realizaram uma releitura de “Exemplos” e “Louco e Sonhador”, simbolizando a união de diferentes trajetórias dentro do movimento funk.
Celebrando a presença feminina no funk
O espetáculo também fez questão de destacar a contribuição feminina para a história do funk. MC Ktrine homenageou o legado de MC Menorzinha, enquanto Tasha & Tracie apresentaram uma nova versão de “Tang”, seu primeiro grande sucesso. Essas participações não apenas celebraram as mulheres no funk, mas também mostraram como suas influências podem ser reinterpretadas e ressignificadas ao longo do tempo.
Homenagens e colaborações memoráveis
Outro ponto alto da noite foi a interpretação de “Bachiana nº 5”, que serviu de introdução para “Menina de Vermelho”, de MC Daleste. A presença da bailarina clássica Patrícia Hellen, irmã de MC Felipe Boladão, trouxe um toque especial à performance, unindo diferentes formas de arte em uma homenagem a um dos maiores nomes do funk paulista.
MC Marks, MC Don Juan e MC Menor da VG também marcaram presença, cada um trazendo sua própria perspectiva sobre o funk. Enquanto MC Marks apresentou “Chá de Vida”, uma canção de superação, MC Don Juan representou a expansão do funk para novos públicos, e MC Menor da VG fez uma conexão direta com a trajetória de Hariel.
Um baile funk sinfônico
O bloco do SUBMUNDO 808 foi um dos momentos mais energéticos da apresentação, aproximando a formação sinfônica das batidas do funk de rua e do funk de favela. O repertório incluiu “Bum Bum Tam Tam”, levando o público a dançar e celebrar a cultura funk dentro do Auditório Simón Bolívar. Essa proposta reforçou a ideia de que o funk pode ser apresentado de forma sinfônica sem perder sua essência e conexão com as ruas.
Encerramento com grande coro
Para finalizar a apresentação, MC Hariel voltou ao palco com “Maçã Verde”, um de seus maiores sucessos, acompanhado por suas dançarinas e um coro vibrante formado pelo público. A energia contagiante foi complementada pela apresentação de “Cai Lágrimas”, que reuniu todos os artistas novamente, encerrando a noite com uma celebração coletiva do funk.
Uma nova orquestra para um novo som
A Orquestra de Fluxo, criada especialmente para o espetáculo, foi um dos grandes destaques da noite. Sob a direção musical de Nave Beatz, a formação incluiu uma variedade de instrumentos, como violinos, violas, violoncelos, harpa, piano, sopros e metais, além de um DJ. Essa diversidade sonora permitiu que o repertório de Hariel fosse apresentado de maneira inovadora, mostrando que o funk pode dialogar com a música sinfônica de forma autêntica e emocionante.
O Red Bull Symphonic não apenas celebrou a história do funk paulista, mas também abriu novas possibilidades para o gênero, mostrando que a música pode ser uma ponte entre diferentes culturas e estilos. A apresentação de MC Hariel foi um verdadeiro marco, reafirmando a importância do funk na cena musical brasileira e sua capacidade de se reinventar constantemente.

