A rapper brasiliense Flora Matos não hesitou em expressar suas opiniões sobre um recente álbum pop que gerou grande expectativa no cenário musical. Em uma série de postagens nas redes sociais, ela levantou questões sobre a autenticidade da obra, insinuando que a produção poderia ter sido amplamente influenciada por inteligência artificial. Embora não tenha mencionado diretamente o título do disco ou a artista responsável, muitos internautas rapidamente associaram suas críticas ao novo trabalho da cantora Anitta, intitulado ‘Equilibrium II’.
Flora começou sua análise com um questionamento provocativo: “Com todo respeito, mas é impressão minha ou esse álbum pop que saiu hoje foi todo gravado por IA?”. Essa indagação inicial deu início a uma sequência de comentários que abordavam a estética do mercado pop contemporâneo, especialmente em relação ao uso excessivo de autotune, uma técnica que, segundo ela, tem sido utilizada de forma inadequada por artistas que já possuem habilidades vocais sólidas.
A rapper destacou que aprecia o uso do autotune quando empregado como uma ferramenta expressiva dentro do rap, mas criticou sua aplicação no pop, onde muitas vezes resulta em uma sonoridade artificial e desprovida de emoção. Para Flora, mesmo o alto investimento financeiro na produção do álbum não conseguiu ocultar a superficialidade do conteúdo apresentado. “Um show de apropriações, hipersexualizações e tudo aquilo que a gente já conhece. Investimento absurdo pra mostrar que tem muito e, ainda assim, soa como música de IA. É foda ver o Brasil representado assim”, desabafou.
Além de criticar a falta de profundidade nas letras e na estética do projeto, Flora Matos também levantou a preocupação de que grandes nomes da indústria musical possam estar normalizando o uso de inteligência artificial para substituir o trabalho humano nos estúdios. Para ela, essa tendência pode desviar o foco da essência da música, priorizando a imagem e o apelo comercial em detrimento da autenticidade artística.
Apesar das duras críticas, Flora fez questão de reconhecer o trabalho da equipe envolvida na produção do álbum, embora de forma irônica. “Parabéns a todos os 200 mil profissionais envolvidos, porque são tecnicamente perfeitos, independente do que estiver sendo proposto pelo… artista?”, afirmou, deixando claro que sua crítica não se restringe apenas à qualidade técnica, mas à proposta artística como um todo.
Consciente de que suas declarações poderiam gerar controvérsia e reações negativas, a rapper se posicionou de forma firme: “Vou levar muito hate essa semana. Isso é conveniente pra mim? Não. Mas ter opinião ainda é um direito de todos. Te desejo o melhor, pra que o Brasil também seja melhor representado musicalmente”. Essa afirmação reflete sua confiança em sua base de fãs e a importância que atribui ao debate sobre a autenticidade e a valorização cultural na música.
Vale ressaltar que, em meio a essa polêmica, Flora Matos revelou que seu novo álbum está quase completo e que, ao contrário do que criticou, defende o uso de inteligência artificial em videoclipes. Para ela, essa escolha não é uma questão estética, mas uma necessidade decorrente de um processo de dois anos de estúdio e da busca por cuidar de sua saúde física e mental.
As declarações de Flora Matos não apenas provocam um debate sobre a qualidade da música pop contemporânea, mas também levantam questões mais amplas sobre a direção que a indústria musical está tomando, especialmente em um momento em que a tecnologia e a criatividade humana estão cada vez mais interligadas.

